Coluna do Pombo 04/2026
ATÉ O POMBO QUER SABER: AFINAL, QUEM É O PAI DO METRÔ?
Lá do alto dos fios, dos telhados e dos postes, o Pombo observa uma cena curiosa. Basta o assunto ser metrô que aparece mais pai do que em comercial de Dia dos Pais.
Mal a obra avança um pouquinho e já tem fila para registrar a criança.
Tem quem diga:
— “Fui eu que trouxe!”
Outro responde:
— “Sem mim, nem projeto existia!”
E surge um terceiro:
— “Eu já falava disso antes de todo mundo.”
O Pombo só coça as penas e pensa:
“Se cada um que diz ser pai colocasse um trilho, o trem já estaria passando faz tempo.”
Enquanto isso, o metrô segue crescendo no compasso das obras públicas: um tapume aqui, uma placa ali, uma máquina acolá e muitas projeções bonitas para fotografia.
Na internet, todo mundo tem uma lembrança.
No café, todo mundo tem uma versão.
Na esquina, todo mundo conhece “a verdadeira história”.
Já o passageiro… esse continua esperando.
A verdade é que o metrô virou patrimônio da conversa de Taboão da Serra.
Passa governo.
Passa eleição.
Passam discursos.
Passam inaugurações de etapas.
E o assunto continua firme nos grupos de WhatsApp.
O Pombo ouviu até uma senhora na feira dizer:
— “Meu filho, quando esse trem chegar, vai ter tanta gente dizendo que ajudou que vai faltar plataforma para acomodar todos os pais.”
E faz sentido.
Porque obra grande tem muitos capítulos, muitos protagonistas e, principalmente, muita gente querendo aparecer na foto quando ela começa a ganhar forma.
No fim das contas, talvez o verdadeiro “pai” do metrô seja o tempo.
Ele é o único que esteve presente em todas as promessas, em todos os anúncios e continua acompanhando cada metro de trilho que nasce.
Enquanto isso…
O Pombo segue voando.
Porque, diferente do metrô…
Ele nunca precisou esperar a inauguração para chegar ao destino.
