{"id":6450,"date":"2023-05-09T07:00:57","date_gmt":"2023-05-09T10:00:57","guid":{"rendered":"http:\/\/folhadopirajucara.com.br\/?p=6450"},"modified":"2023-05-09T18:30:17","modified_gmt":"2023-05-09T21:30:17","slug":"quem-foi-zeferina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/2023\/05\/09\/quem-foi-zeferina\/","title":{"rendered":"Quem foi  Zeferina?"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Zeferina viveu na primeira metade do s\u00e9culo XIX e ficou conhecida por ser uma lideran\u00e7a e guerreira do Quilombo do Urubu, na Bahia<\/em><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rainha, chefe, quilombola e guerreira. Foram esses os t\u00edtulos que Zeferina, l\u00edder do Quilombo do Urubu, recebeu ao longo de sua vida.<\/p>\n<p>De acordo com Maria In\u00eas C\u00f4rtes, professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Zeferina chegou ao Brasil na condi\u00e7\u00e3o de escravizada, junto com a m\u00e3e, Am\u00e1lia, ainda na primeira metade no s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>De origem angolense, Zeferina tornou-se uma lideran\u00e7a no Quilombo do Urubu \u2013 hoje correspondente \u00e0 regi\u00e3o do bairro Piraj\u00e1 e do Parque S\u00e3o Bartolomeu, em Salvador, na Bahia.<\/p>\n<p>Ela chegou ao quilombo fugindo dos abusos e da viol\u00eancia de seus senhores, e foi acolhida por outros quilombolas que j\u00e1 residiam na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 17 de dezembro de 1826, utilizando apenas arco e flecha, Zeferina liderou a popula\u00e7\u00e3o local em um levante contra o ataque de tropas policiais ao quilombo.<\/p>\n<p>O fato ocorreu quando um grupo de escravizados fugidos do Urubu levava alimento para um outro quilombo, na periferia da cidade. Os policiais alegaram a suspeita de planejamento de uma revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, Zeferina liderou 50 homens e algumas mulheres \u2013 todos negros \u2013 contra mais de 200 homens com armas de fogo e cavalos, que, no final, conseguiram prender apenas um homem e uma mulher, a pr\u00f3pria Zeferina, segundo a pesquisadora Silvia Maria Barbosa Silva.<\/p>\n<p>\u00c9 importante salientar que o Quilombo do Urubu tinha, ainda naquele per\u00edodo, uma forte liga\u00e7\u00e3o com o Candombl\u00e9, sendo a persegui\u00e7\u00e3o religiosa uma das poss\u00edveis raz\u00f5es para potencializar o ataque ao local.<\/p>\n<p>A postura de lideran\u00e7a de Zeferina foi observada pelo comandante das tropas, respons\u00e1vel pela documenta\u00e7\u00e3o sobre o levante. Durante a luta, Zeferina animava os guerreiros quilombolas, instru\u00eda-os para que n\u00e3o se dispersassem ou recuassem.<\/p>\n<p>Ela foi a \u00faltima a desistir, e ao final acabou sendo presa por v\u00e1rios soldados. O t\u00edtulo de \u201crainha\u201d lhe foi dado pelo presidente da prov\u00edncia, a maior autoridade da \u00e9poca na Bahia, ap\u00f3s a sua pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Zeferina n\u00e3o retornou ao Quilombo do Urubu. As condi\u00e7\u00f5es de sua morte nunca foram devidamente esclarecidas, e a localiza\u00e7\u00e3o de seus restos mortais n\u00e3o foi informada.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora e coordenadora-geral da Associa\u00e7\u00e3o de Mulheres Negras \u2013 Quilombo Zeferina, Silvia Maria Barbosa Silva, a hist\u00f3ria desta quilombola \u00e9 um achado.<\/p>\n<p>\u201cZeferina \u00e9 uma refer\u00eancia de resist\u00eancia. Ela fez uma escolha por seu povo, lutou e deixou um legado a ser seguido\u201d.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o que Silvia coordena atua na mesma regi\u00e3o em que outrora ficava o Quilombo do Urubu. Resgatar a figura de Zeferina foi uma maneira de empoderar a popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*fonte:<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Zeferina viveu na primeira metade do s\u00e9culo XIX e ficou conhecida por ser uma lideran\u00e7a e guerreira do Quilombo do<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":6451,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1,54,4],"tags":[],"class_list":["post-6450","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-historias-afro-brasileiras","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6450"}],"collection":[{"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6450"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6450\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6452,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6450\/revisions\/6452"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6451"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6450"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6450"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6450"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}