{"id":6455,"date":"2023-05-11T22:31:31","date_gmt":"2023-05-12T01:31:31","guid":{"rendered":"http:\/\/folhadopirajucara.com.br\/?p=6455"},"modified":"2023-05-11T22:31:31","modified_gmt":"2023-05-12T01:31:31","slug":"tipos-de-escravos-no-brasil-colonial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/2023\/05\/11\/tipos-de-escravos-no-brasil-colonial\/","title":{"rendered":"Tipos de escravos no Brasil colonial"},"content":{"rendered":"<p>Os escravos estiveram presentes em diferentes fun\u00e7\u00f5es e contextos sociais ao longo da hist\u00f3ria brasileira.<\/p>\n<p>Ao tratarmos sobre a condi\u00e7\u00e3o do escravo no Brasil, somos muitas vezes tentados a salientar repetidamente a situa\u00e7\u00e3o degradante desses sujeitos hist\u00f3ricos. De fato, o trauma causado pelo sequestro na terra natal e a imposi\u00e7\u00e3o de uma rotina de trabalho acaba justificando tal perspectiva. Contudo, muitas vezes deixamos de salientar a possibilidade de processos din\u00e2micos que vislumbrem o escravo como uma figura ativa no contexto hist\u00f3rico em que viveu.<\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o que pode mostrar esse escravo de outra forma pode ser vista quando tratamos das fun\u00e7\u00f5es desempenhadas por esses durante e ap\u00f3s o per\u00edodo colonial. Em geral, por conta da grande demanda inerente a esse tipo de atividade, muitos escravos eram conduzidos at\u00e9 as propriedades monoculturas envolvidas no desenvolvimento do mercantilismo europeu.<\/p>\n<p>Ao longo do dia, desempenhavam diferentes fun\u00e7\u00f5es trabalhando nas lavouras e demais instala\u00e7\u00f5es da propriedade rural. Ao fim de um exaustivo dia, os escravos eram conduzidos at\u00e9 a senzala para descansar para o pr\u00f3ximo dia de trabalho. Nesse local acabavam firmando la\u00e7os de socializa\u00e7\u00e3o e, at\u00e9 mesmo, utilizavam daquele momento para promoverem algumas manifesta\u00e7\u00f5es culturais. Contudo, n\u00e3o podemos nos limitar ao ambiente da lavoura e da senzala quando falamos dos escravos.<\/p>\n<p>Na resid\u00eancia do propriet\u00e1rio, havia uma parcela de escravos que se dedicava ao cuidado das tarefas ligadas ao ambiente dom\u00e9stico. Geralmente, esses escravos possu\u00edam uma condi\u00e7\u00e3o de vida relativamente melhor e acabavam tamb\u00e9m se relacionando mais proximamente com a fam\u00edlia de seu senhor. Em algumas pesquisas, temos a descri\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es em que escravos desempenhavam fun\u00e7\u00f5es que s\u00f3 eram poss\u00edveis por meio de um la\u00e7o de confian\u00e7a com seu dono.<\/p>\n<p>Nos centros urbanos, a recorr\u00eancia desses escravos dom\u00e9sticos tamb\u00e9m era bastante expressiva. Ao sa\u00edrem de casa, algumas mulheres pertencentes \u00e0 elite costumavam vestir suas escravas com luxuosas pe\u00e7as e acess\u00f3rios para recha\u00e7ar sua condi\u00e7\u00e3o social abastada. N\u00e3o sendo um espa\u00e7o ligado \u00e0 explora\u00e7\u00e3o da terra, devemos salientar que as cidades abriam portas para que muitos escravos fossem utilizados em outras atividades econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>Muitas vezes, aproveitando das habilidades de um negro, o propriet\u00e1rio acabava transformando-o em um \u201cescravo de ganho\u201d. Nessa situa\u00e7\u00e3o o escravo poderia vender \u201cdoce de tabuleiro\u201d, realizar o transporte de cargas e pessoas, cuidar de um estabelecimento comercial ou fabricar utens\u00edlios. Geralmente, o seu dono ficava com a maior parte dos lucros obtidos ao longo do dia. A parcela destinada ao escravo poderia ser utilizada para alimenta\u00e7\u00e3o, vestu\u00e1rio e, at\u00e9 mesmo, para a compra de sua alforria.<\/p>\n<p>Em outros casos tamb\u00e9m podemos assinalar a exist\u00eancia dos chamados \u201cescravos de aluguel\u201d. Geralmente, um senhor que passava por dificuldades financeiras ou n\u00e3o tinha meios para explorar todo o seu plantel acabava cedendo parte de suas \u201cpe\u00e7as\u201d para um terceiro, que em troca lhe recompensava com uma quantidade de dinheiro. No Distrito Diamantino, por exemplo, vemos que a pr\u00f3pria administra\u00e7\u00e3o colonial utilizou desse recurso para empreender a extra\u00e7\u00e3o de pedras preciosas no s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<p>Por meio dessa breve explana\u00e7\u00e3o, observamos que a compreens\u00e3o do negro como sujeito hist\u00f3rico vem perdendo sua tradicional imagem de \u201cescravo subordinado\u201d. Ultimamente, novas obras permitem valoriz\u00e1-lo como indiv\u00edduo portador de suas pr\u00f3prias tradi\u00e7\u00f5es. Dessa forma, a condi\u00e7\u00e3o de escravo n\u00e3o mais anula sua capacidade de interferir no tempo em que viveu atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es e estrat\u00e9gias que lhe concedem voz pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fontes extra\u00eddas :\u00a0<a href=\"https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/historiadobrasil\/os-diferentes-tipos-escravo-no-brasil.htm\">Os diferentes tipos de escravo no Brasil &#8211; Mundo Educa\u00e7\u00e3o (uol.com.br)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os escravos estiveram presentes em diferentes fun\u00e7\u00f5es e contextos sociais ao longo da hist\u00f3ria brasileira. 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