{"id":6503,"date":"2023-05-30T13:31:16","date_gmt":"2023-05-30T16:31:16","guid":{"rendered":"http:\/\/folhadopirajucara.com.br\/?p=6503"},"modified":"2023-05-30T13:31:16","modified_gmt":"2023-05-30T16:31:16","slug":"trafico-de-escravos-os-africanos-trazidos-para-taubate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/2023\/05\/30\/trafico-de-escravos-os-africanos-trazidos-para-taubate\/","title":{"rendered":"Tr\u00e1fico de escravos: Os Africanos trazidos para Taubat\u00e9"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>A captura, a travessia, a compra e a venda de escravos africanos fizeram parte da Hist\u00f3ria brasileira entre os s\u00e9culos XVI e XIX. Esses povos escravizados eram diferentes entre si, na sua l\u00edngua, cultura e religi\u00e3o, numa complexa diversidade.<\/strong><\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os africanos eram capturados, levados do interior at\u00e9 o litoral em longas caminhadas repletas de maus-tratos e esperavam o navio chegar, aglomerados em um dep\u00f3sito junto \u00e0s praias. Retirados de sua realidade, de seu lar, sentiram-se perdidos, sem ra\u00edzes, sem dire\u00e7\u00e3o. Eram batizados e depois, durante a viagem, eram marcados a ferro. Transportados num navio lotado que demorava em m\u00e9dia 35 a 50 dias at\u00e9 o Brasil, num ambiente quente, abafado e malcheiroso, as diversas doen\u00e7as e mortes eram inevit\u00e1veis.<\/p>\n<p>Chegando a algum porto brasileiro, entre eles, Recife, Bahia e Rio de Janeiro, a venda ocorria, por meio de negocia\u00e7\u00f5es ou por leil\u00f5es. No s\u00e9culo XIX, na regi\u00e3o do Vale do Para\u00edba, os escravos eram trazidos principalmente para o trabalho nas fazendas cafeeiras e para os servi\u00e7os urbanos.<\/p>\n<p>Em 1830 foi promulgada uma Lei que proibia o tr\u00e1fico de escravos, por press\u00e3o da Inglaterra que estava interessada em reprimi-la. Mas ela n\u00e3o foi cumprida. Em 1850, com Lei Eus\u00e9bio de Queiroz, foi abolido decididamente o tr\u00e1fico internacional de escravos, mas os traficantes persistiram e contrabandearam por mais um tempo.<\/p>\n<p>Os africanos trazidos para o Brasil eram de diversas regi\u00f5es e s\u00e3o imprecisas quanto as suas origens \u00e9tnicas, pois os nomes dados para identific\u00e1-los, referiam-se ao nome dos portos de embarque. Muitas vezes eram capturados no interior, bem distante dos portos.<\/p>\n<p>A multiplicidade de etnias e cl\u00e3s que vinham para o Brasil decorria, muitas vezes, do interesse dos senhores de ter escravos de origens diferentes, para que com a diversidade de h\u00e1bitos, l\u00edngua e religi\u00e3o, dificultassem a intera\u00e7\u00e3o entre eles e o surgimento de alguma revolta.<\/p>\n<p>Essa diversidade relatada acima pode ser percebida nos documentos do Arquivo Hist\u00f3rico Felix Guisard Filho. Nos invent\u00e1rios de alguns donos de escravos taubateanos at\u00e9 por volta de 1850, na descri\u00e7\u00e3o dos bens, h\u00e1 a listagem de escravos, e muitos deles com a identifica\u00e7\u00e3o de suas \u201cna\u00e7\u00f5es\u201d. Os escravos chamados \u201cCrioulos\u201d eram escravos nascidos no Brasil. Existiam tamb\u00e9m os \u201cMulatos\u201d e \u201cpardos\u201d que eram os mesti\u00e7os e haviam aqueles que n\u00e3o se sabiam suas origens. Mas outros foram identificados com nomes de regi\u00f5es. Abaixo algumas \u201cna\u00e7\u00f5es\u201d de onde os africanos trazidos para Taubat\u00e9 eram provenientes:<\/p>\n<p><strong>Angola:<\/strong>\u00a0Pa\u00eds situado na por\u00e7\u00e3o sudoeste da \u00c1frica Central. Antes da descoberta portuguesa, o territ\u00f3rio abrigava parte do antigo Reino do Congo, cuja capital se localizava na prov\u00edncia do Zaire (Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo), onde ainda hoje se ergue a cidade hist\u00f3rica de Mbanza Kongo. Era um enorme viveiro de cativos, um dos principais mercados de escravos que abasteciam o Brasil.<\/p>\n<p><strong>Benguela<\/strong>: Cidade litor\u00e2nea da Republica Popular de Angola, capital da prov\u00edncia de mesmo nome. Fundada em 1617 sob a denomina\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Fidelis de Benguela, foi um dos maiores portos exportadores de escravos para o Brasil. Ali era um dos centros de concentra\u00e7\u00e3o, dep\u00f3sito de pretos arrancados dos sert\u00f5es, de origens e etnias incont\u00e1veis. A passagem por Benguela, na Africa Austral, dava-lhes o sobrenome: preto Benguela<\/p>\n<p><strong>Cabinda:<\/strong>\u00a0Divis\u00e3o territorial da Republica Popular de Angola, formando enclave entre o Congo e ex Zaire a Republica Democr\u00e1tica do Congo. At\u00e9 o s\u00e9culo XIX, a regi\u00e3o foi um dos principais entrepostos portugueses de escravos. Os habitantes da regi\u00e3o, no Brasil, eram conhecidos como Cabindas ou Cambindas. Se autodenominam Ba-vili e constituem um subgrupo dos Bacongos.<\/p>\n<p><strong>Cassange:<\/strong>\u00a0(ou Kassange) era um importante povoado situado no interior de Angola onde eram vendidos escravos em uma grande feira.<\/p>\n<p><strong>Congo:\u00a0<\/strong>Localizado na regi\u00e3o centro-oeste da \u00c1frica, com uma pequena por\u00e7\u00e3o de costa no Oceano Atl\u00e2ntico, Um reino que foi um dos maiores portos exportadores de escravos para o Brasil.<\/p>\n<p><strong>Mina<\/strong>: Nome atribu\u00eddo, no Brasil, a cada um dos escravos sudaneses de v\u00e1rias etnias embarcados escravos na costa situada a leste do castelo de S\u00e3o Jorge da Mina, ou seja, na Costa dos Escravos. Antiga Costa do Ouro, atual Rep\u00fablica de Gana, o voc\u00e1bulo designa tamb\u00e9m um grupo \u00e9tnico da regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Mo\u00e7ambique:\u00a0<\/strong>Denomina\u00e7\u00e3o dada a alguns negros da \u00c1frica Oriental vindos para o Brasil como escravos \u2013 Do top\u00f4nimo\u00a0<em>Musambiki<\/em>, do macua.<\/p>\n<p><strong>Monjolo:<\/strong>\u00a0Denomina\u00e7\u00e3o de certo contingente de negros escravizados no Brasil. Trata-se de um dos nomes porque foram conhecidos os Batequeses ou Tios, grupo \u00e9tnico localizado na atual Rep\u00fablica do Congo, pr\u00f3ximo a Stanley Pool. Monjolo parece ser um apelido criado na Di\u00e1spora: no contexto bot\u00e2nico monjolo refere-se a \u00e1rvore da fam\u00edlia das leguminosas mimos\u00e1ceas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*pesquisa realizada por: Jos\u00e9 Lucas de Souza \/\/ *fonte: <a href=\"https:\/\/almanaqueurupes.com.br\/\">https:\/\/almanaqueurupes.com.br\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A captura, a travessia, a compra e a venda de escravos africanos fizeram parte da Hist\u00f3ria brasileira entre os s\u00e9culos<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":6505,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1,54,4],"tags":[],"class_list":["post-6503","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-historias-afro-brasileiras","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6503"}],"collection":[{"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6503"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6503\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6506,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6503\/revisions\/6506"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6505"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6503"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6503"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6503"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}