{"id":6730,"date":"2023-07-14T00:01:27","date_gmt":"2023-07-14T03:01:27","guid":{"rendered":"http:\/\/folhadopirajucara.com.br\/?p=6730"},"modified":"2023-07-13T20:15:06","modified_gmt":"2023-07-13T23:15:06","slug":"quem-foi-esperanca-garcia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/2023\/07\/14\/quem-foi-esperanca-garcia\/","title":{"rendered":"Quem foi Esperan\u00e7a Garcia?"},"content":{"rendered":"<p>Segundo pesquisadores, Esperan\u00e7a nasceu na fazenda Algod\u00f5es, propriedade que pertencia a padres jesu\u00edtas brasileiros. No local, ela aprendeu a ler e escrever. Quando completou 16 anos, Garcia casou-se e teve seu primeiro filho.<\/p>\n<p>Contudo, os catequistas foram expulsos pelo diplomata portugu\u00eas Marqu\u00eas de Pombal, em setembro de 1759 e a fazenda foi transferida para outros senhores de escravo. Logo depois, aos 19 anos, Garcia foi separada dos filhos e do marido, e enviada para outras terras.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ser separada dos filhos e do marido, e com o intuito de ser resgatada e encontr\u00e1-los novamente, ela denunciou as situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia que sofria ao Governo do Piau\u00ed.<\/p>\n<p>O ano era 1770 e uma mulher negra, m\u00e3e, escravizada, escreveu uma carta em 6 de setembro, endere\u00e7ada ao governador da capitania do Piau\u00ed. Em ato de insurg\u00eancia \u00e0s estruturas que a desumanizavam, ela denunciava as situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia que ela, as companheiras e seus filhos sofriam na fazenda de Algod\u00f5es, regi\u00e3o pr\u00f3xima a Oeiras, a 300 quil\u00f4metros da futura capital, Teresina.<\/p>\n<p>O documento hist\u00f3rico \u00e9 uma das primeiras cartas de direito que se tem not\u00edcia. \u00c9 um s\u00edmbolo de resist\u00eancia e ousadia na luta por direitos no contexto do Brasil escravocrata no s\u00e9culo XVIII \u2013 mais de cem anos antes de o Estado brasileiro reconhec\u00ea-los formalmente.<\/p>\n<p>Esperan\u00e7a Garcia possivelmente aprendeu a ler e escrever portugu\u00eas com os padres jesu\u00edtas catequizadores. Ap\u00f3s a expuls\u00e3o dos jesu\u00edtas do Brasil, pelo marqu\u00eas de Pombal e a passagem da fazenda para outros senhores de escravo, ela foi transferida para terras do capit\u00e3o Ant\u00f4nio Vieira de Couto. Longe do marido e dos filhos maiores, usou a escrita como forma de luta para reivindicar uma vida com dignidade.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/esperancagarcia.org\/a-carta\/\"><em>A carta<\/em><\/a><em>\u00a0<\/em>foi encontrada em 1979 no arquivo p\u00fablico do Piau\u00ed, pelo pesquisador e historiador Luiz Mott. Em reconhecimento da import\u00e2ncia hist\u00f3rica do documento escrito por Esperan\u00e7a, atendendo \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es do movimento negro no Piau\u00ed, a data de 6 de setembro foi oficializada como o Dia Estadual da Consci\u00eancia Negra, em 1999. Em setembro de 2017, duzentos e quarenta e sete anos depois da escritura da carta, atrav\u00e9s de solicita\u00e7\u00e3o da\u00a0<a href=\"https:\/\/esperancagarcia.org\/dossie-esperanca-garcia\/\"><em>Comiss\u00e3o da Verdade sobre a Escravid\u00e3o Negra do Piau\u00ed<\/em><\/a>, Esperan\u00e7a Garcia foi reconhecida pela OAB\/PI como a primeira advogada piauiense.<\/p>\n<p>A narrativa de Esperan\u00e7a \u00e9 marcada pela indigna\u00e7\u00e3o e a coragem de resistir. Denuncia os maus tratos, o autoritarismo e requer o direito de viver livre de viol\u00eancia para si e para os outros. \u00c9 uma singular express\u00e3o da luta por direitos humanos que nasce das senzalas, das ruas, dos lugares onde as sujeitas historicamente oprimidas se insurgem por liberdade e igualdade.<\/p>\n<p>Conhecer, lembrar e compartilhar a voz de Esperan\u00e7a Garcia \u00e9 um imperativo para a luta contra o racismo e por igualdade de g\u00eanero, ra\u00e7a e classe no Brasil. \u00c9 tamb\u00e9m alimento para a for\u00e7a e coragem de resist\u00eancia do povo brasileiro ao perigo de uma \u00fanica hist\u00f3ria, a do colonizador. \u00c9 pe\u00e7a fundamental para compor as mem\u00f3rias de luta e resist\u00eancia do povo negro e construir as caixas amplificadoras de vozes historicamente silenciadas.<\/p>\n<p>Pesquisa: Jose Lucas\/ Folha do Piraju\u00e7ara<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\">https:\/\/g1.globo.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/esperancagarcia.org\">https:\/\/esperancagarcia.org<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo pesquisadores, Esperan\u00e7a nasceu na fazenda Algod\u00f5es, propriedade que pertencia a padres jesu\u00edtas brasileiros. 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