{"id":6770,"date":"2023-07-24T23:25:17","date_gmt":"2023-07-25T02:25:17","guid":{"rendered":"http:\/\/folhadopirajucara.com.br\/?p=6770"},"modified":"2023-07-24T23:25:27","modified_gmt":"2023-07-25T02:25:27","slug":"tereza-de-benguela-a-escrava-que-virou-rainha-e-liderou-um-quilombo-de-negros-e-indios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/2023\/07\/24\/tereza-de-benguela-a-escrava-que-virou-rainha-e-liderou-um-quilombo-de-negros-e-indios\/","title":{"rendered":"Tereza de Benguela: a escrava que virou rainha e liderou um quilombo de negros e \u00edndios"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Tereza de Benguela \u00e9, assim como outras hero\u00ednas negras, um dos nomes esquecidos pela historiografia nacional, que, nos \u00faltimos anos, devido ao engajamento do movimento de mulheres negras e \u00e0 pesquisa ou ao resgate de documentos at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o devidamente estudados, na busca de recontar a hist\u00f3ria nacional e multiplicar as narrativas que revelam a forma\u00e7\u00e3o sociopol\u00edtica brasileira.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Conhe\u00e7a a hist\u00f3ria dessa mulher incr\u00edvel!<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O local de nascimento de\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Teresa_de_Benguela\">Tereza de Benguela<\/a>\u00a0\u00e9 desconhecido. Ela pode ter nascido em Benguela, atual angola no continente africano<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Rainha Tereza de Benguela do Quilombo do Piolho ao do Quariter\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Quilombo do Piolho, localizado era pr\u00f3ximo no vale do Guapor\u00e9, pr\u00f3ximo \u00e1 vila bela da sant\u00edssima trindade capital da rec\u00e9m prov\u00edncia do mato grosso, em 1750 por africanos e crioulos,<\/p>\n<p>O quilombo era formado por cerca de 300 pessoas, fugidos das Novas Minas das lavras de Mato Grosso, onde eram escravos. O quilombo do quilombo foi fundado na d\u00e9cada de 1740 pelo l\u00edder negro Jos\u00e9 Piolho, esposo de Tereza de Benguela. Em 1750 com a morte de Jos\u00e9 Piolho, Tereza se tornou \u00a0rainha do quilombo, que mudando-se de local passou a se chamar Quilombo de Quariter\u00e9, sob sua lideran\u00e7a, a comunidade negra e ind\u00edgena resistiu \u00e0 escravid\u00e3o por duas d\u00e9cadas, sobrevivendo at\u00e9 1770, quando o quilombo foi destru\u00eddo pelas for\u00e7as de Lu\u00eds Pinto de Sousa Coutinho e a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As atividades dos Quilombolas se resumiam em ca\u00e7ar, pescar, derrubar mato, fazer ro\u00e7a, plantar e colher, criar aves, fabricar aves, produzir mel e guerrear com os \u00edndios cabixis, por causa de lhes roubarem as mulheres. O Governador da prov\u00edncia de mato grosso, entre o per\u00edodo de 1769-1772 Luiz pinto de Souza Coutinho pressionado pela corte Portuguesa, exigia dos mineradores o aumento de produ\u00e7\u00e3o, esta Decaia por falta de bra\u00e7os para o trabalho. Os escravos africanos Importados de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Vicente e do Rio de Janeiro, Reduziam-se mortos pelas endemias, fugindo para as malocas de Chiquitos e Miss\u00f5es Espanholas ou sumindo simplesmente sem\u00a0 deixar vest\u00edgios. O problema da falta de bra\u00e7ais se agravava, ent\u00e3o em reuni\u00e3o promovida pelos propriet\u00e1rios de minera\u00e7\u00f5es e o Governador, fico deliberado a organiza\u00e7\u00e3o de uma Bandeira para capturar os escravos fugitivos. As despesas seriam divididas entre os mineradores, o Senado da C\u00e2mara e o Governador. O comando da Bandeira optou pelo itiner\u00e1rio pelas cabeceiras dois rios Galerinhas, Galera, Taquara, Piolhinho e Pedra, para alcan\u00e7ar o quilombo, tendo por guia um escravo aprisionado que, sob tortura, informara a exist\u00eancia do mesmo. A Bandeira era composta de mais de trinta homens. Cautelosa, deslocando-se vagarosamente, procurando pistas e sinais dos fugitivos, passou um m\u00eas para atingir as cercarias do quilombo. Aproximaram-se ao anoitecer, organizando-se em forma\u00e7\u00e3o de leque, at\u00e9 cercar completamente o povoado, passaram a noite em suas posi\u00e7\u00f5es, executando o assalto ao amanhecer, surpreendendo totalmente os seus habitantes, que apenas esbo\u00e7am uma m\u00ednima rea\u00e7\u00e3o, sendo mortos, feridos e aprisionados.<\/p>\n<p>Alguns homens foram concentrados em baixo de uma \u00e1rvore, sob a mira dos bacamartes, os mortos enterrados, os feridos medicados e as mulheres possu\u00eddas pelos sertanistas, como recompensa epresa de guerra. A Bandeira, ap\u00f3s averiguar as redondezas em busca de ouro, regressou a Vila Bela, onde entrou triunfalmente, sendo recebida pelo Governador, altas autoridades e senhores e propriet\u00e1rios de<\/p>\n<p>minas. Ap\u00f3s a cerim\u00f4nia de tortura dos prisioneiros no pelourinho, o corte de uma das orelhas e marca\u00e7\u00f5es da letra \u201cF\u201d, na esp\u00e1dua, com ferro em brasa, os escravos foram entregues aos seus donos e \u00e0 noite houve baile de gala nos sal\u00f5es do Pal\u00e1cio dos Capit\u00e3es\u00a0 Generais, em regozijo pela vit\u00f3ria alcan\u00e7ada. Era o ano de 1770. O exemplo do b\u00e1rbaro espet\u00e1culo n\u00e3o surtiu o efeito esperado, os<\/p>\n<p>escravos continuaram a fugir e novos quilombos foram organizados, entre os quais destacaram-se os Mutuca. Rainha Tereza :Com a morte de Jos\u00e9 Piolho, Tereza se tornou a l\u00edder do quilombo, e, sob sua lideran\u00e7a, a comunidade negra e ind\u00edgena resistiu \u00e0 escravid\u00e3o por duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>O Quilombo do Quariter\u00ea abrigava mais de 100 pessoas, com destacada presen\u00e7a de negros e ind\u00edgenas. Tereza navegava com barcos imponentes pelos rios do pantanal. E todos a chamavam de \u201cRainha Tereza\u201d.<\/p>\n<p>O Quilombo, territ\u00f3rio de dif\u00edcil acesso, foi o ambiente perfeito para Tereza coordenar um forte aparato de defesa e articular um parlamento para decidir em grupo as a\u00e7\u00f5es da comunidade, que vivia do cultivo de algod\u00e3o, milho, feij\u00e3o, mandioca, banana, e da venda dos excedentes produzidos.<\/p>\n<p>Tereza comandou a estrutura pol\u00edtica, econ\u00f4mica e administrativa do quilombo, mantendo um sistema de defesa com armas trocadas com os brancos ou roubadas das vilas pr\u00f3ximas. Os objetos de ferro utilizados contra a comunidade negra que l\u00e1 se refugiava eram transformados em instrumentos de trabalho, visto que dominavam o uso da forja.<\/p>\n<p>\u201cGovernava esse quilombo a modo de parlamento, tendo para o conselho uma casa destinada, para a qual, em dias assinalados de todas as semanas, entrava os deputados, sendo o de maior autoridade, tipo por conselheiro, Jos\u00e9 Piolho, escravo da heran\u00e7a do defunto Ant\u00f4nio Pacheco de Morais, Isso faziam, tanto que eram chamados pela rainha, que era a que presidia e que naquele negral Senado se assentava, e se executava \u00e0 risca, sem apela\u00e7\u00e3o nem agravo.\u201d &#8211; Anal de Vila Bela do ano de 1770<\/p>\n<p>N\u00e3o se tem registros de como Tereza morreu. Uma vers\u00e3o \u00e9 que ela se suicidou depois de ser capturada por bandeirantes a mando da capitania do Mato Grosso, por volta de 1770, e outra afirma que Tereza foi assassinada e teve a cabe\u00e7a exposta no centro do Quilombo.<\/p>\n<p>O Quilombo resistiu at\u00e9 1770, quando foi destru\u00eddo pelas for\u00e7as de Lu\u00eds Pinto de Sousa Coutinho. A popula\u00e7\u00e3o na \u00e9poca era de 79 negros e 30 \u00edndios.<\/p>\n<p>Em homenagem a Tereza de Benguela, o dia 25 de julho \u00e9 oficialmente no Brasil o\u00a0Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A data comemorativa foi institu\u00edda pela\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2014\/lei\/l12987.htm\">Lei n\u00b0 12.987\/2014<\/a>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da data comemorativa, a rainha Tereza foi homenageada nos versos da escola de samba Unidos do Viradouro, com o enredo da agremia\u00e7\u00e3o de 1994, cujo t\u00edtulo \u00e9 \u2018Tereza de Benguela \u2013 Uma Rainha Negra no Pantanal\u2019.<\/p>\n<p>*pesquisa: Jose Lucas (Folha do Piraju\u00e7ara)<\/p>\n<p>Fonte: https:\/\/www.ufrb.edu.br\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tereza de Benguela \u00e9, assim como outras hero\u00ednas negras, um dos nomes esquecidos pela historiografia nacional, que, nos \u00faltimos anos,<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":6771,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1,54,4],"tags":[],"class_list":["post-6770","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-historias-afro-brasileiras","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6770"}],"collection":[{"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6770"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6770\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6773,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6770\/revisions\/6773"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6771"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6770"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6770"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6770"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}