{"id":6920,"date":"2023-08-14T00:01:28","date_gmt":"2023-08-14T03:01:28","guid":{"rendered":"http:\/\/folhadopirajucara.com.br\/?p=6920"},"modified":"2023-08-13T19:35:42","modified_gmt":"2023-08-13T22:35:42","slug":"marcolino-jose-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/2023\/08\/14\/marcolino-jose-dias\/","title":{"rendered":"Marcolino Jos\u00e9 Dias:"},"content":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria do tenente Marcolino Jos\u00e9 Dias, um escravo liberto filho de negros africanos, ajuda a entender o impacto da Guerra do Paraguai (1865-1870) na pol\u00edtica racial brasileira. Na \u00e9poca, o Brasil era a maior sociedade escravista nas Am\u00e9ricas, com cerca de 1,5 milh\u00e3o de homens e mulheres escravizados \u2014 mas pelo menos 4 milh\u00f5es de afrodescendentes livres ou libertos viviam no pa\u00eds e constitu\u00edam 40% da popula\u00e7\u00e3o total, de 10 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Marcolino se alistou no Regimento dos Zuavos Baianos, composto apenas de negros, ap\u00f3s uma mobiliza\u00e7\u00e3o do governo baiano que na \u00e9poca n\u00e3o parecia alinhada \u00e0s normas do Ex\u00e9rcito, que desde 1837 havia abolido a exclus\u00e3o de \u201chomens pretos\u201d de suas fileiras e rejeitado o tratamento de soldados de acordo com a cor da pele.<\/p>\n<p>O nome do regimento era uma refer\u00eancia aos soldados franceses de infantaria que serviam na Arg\u00e9lia e em outros territ\u00f3rios \u00e1rabes, nos s\u00e9culos 19 e 20. A farda tamb\u00e9m copiava os zuavos franceses: bombachas vermelhas, colete azul bordado e pequeno bon\u00e9<\/p>\n<p>Onze companhias de zuavos, com um efetivo total de 638 homens, embarcaram na Bahia em mar\u00e7o de 1865 para o Rio de Janeiro e, na sequ\u00eancia, para os campos de batalha. Marcolino liderava uma companhia com 85 soldados sob seu comando. J\u00e1 promovido a capit\u00e3o, participou de v\u00e1rios combates, como o cerco a Uruguaiana e a Batalha do Tuiuti.<\/p>\n<p>Mas teve grande destaque na Batalha do Curuzu, em setembro de 1866, na tomada do forte paraguaio do mesmo nome. Mesmo ferido, Marcolino subiu a muralha inimiga por sobre as costas de um de seus soldados, retirou uma bandeira paraguaia, hasteou o pavilh\u00e3o verde-amarelo no seu lugar e, segundo o historiador baiano Manoel Querino, anunciou: \u201cEst\u00e1 aqui o negro zuavo baiano!\u201d. Ficou de posse do trof\u00e9u de guerra e s\u00f3 entregou a bandeira paraguaia ao comandante do Ex\u00e9rcito na batalha.<\/p>\n<p>Marcolino foi mencionado pelo Comandante-Geral das For\u00e7as Brasileiras, general Os\u00f3rio, como o \u201cHer\u00f3i Negro\u201d e sua coragem, registrada na imprensa do Rio de Janeiro e de Salvador \u2013 onde teve recep\u00e7\u00e3o heroica na volta para casa, em 1867, passando a ser tratado como uma figura popular.<\/p>\n<p>Mas, depois da guerra, havia pouco espa\u00e7o para os veteranos negros serem recompensados, permanecendo marginalizados pela sociedade. Marcolino, apesar da fama, conseguiu apenas um emprego de porteiro de uma biblioteca p\u00fablica. Anos mais tarde, Marcolino e outros veteranos do batalh\u00e3o dos zuavos participaram ativamente da campanha abolicionista at\u00e9 sua morte, em 1888. Devido a sua inimizade com o movimento republicano, que seria vitorioso no ano seguinte, Marcolino Jos\u00e9 Dias foi praticamente esquecido pela historiografia militar brasileira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*pesquisa: Jose Lucas (Folha do Piraju\u00e7ara)<\/p>\n<p>*fonte:\u00a0 https:\/\/agendabonifacio.com.br\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria do tenente Marcolino Jos\u00e9 Dias, um escravo liberto filho de negros africanos, ajuda a entender o impacto da<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":6921,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1,54,4],"tags":[],"class_list":["post-6920","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-historias-afro-brasileiras","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6920"}],"collection":[{"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6920"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6920\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6922,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6920\/revisions\/6922"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6921"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6920"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6920"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6920"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}