{"id":6924,"date":"2023-08-13T20:43:37","date_gmt":"2023-08-13T23:43:37","guid":{"rendered":"http:\/\/folhadopirajucara.com.br\/?p=6924"},"modified":"2023-08-13T20:43:37","modified_gmt":"2023-08-13T23:43:37","slug":"francisca-da-silva-de-nacao-nago-e-a-casa-branca-do-engenho-velho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/2023\/08\/13\/francisca-da-silva-de-nacao-nago-e-a-casa-branca-do-engenho-velho\/","title":{"rendered":"Francisca da Silva de na\u00e7\u00e3o nag\u00f4 e a casa Branca do Engenho Velho"},"content":{"rendered":"<p>Segundo a tradi\u00e7\u00e3o oral, os prim\u00f3rdios da comunidade hoje conhecida como Casa Branca remonta \u00e0 lideran\u00e7a de tr\u00eas mulheres africanas,\u00a0<em>Iy\u00e1 Det\u00e1, Iy\u00e1 Akal\u00e1 e Iy\u00e1 Nass\u00f4.<\/em>\u00a0Em algumas vers\u00f5es, fala-se ainda de outra africana, chamada Iyaluss\u00f4 Danadana, e de um babala\u00f4\u00a0lembrado pelo nome Assik\u00e1.\u00a0Essa comunidade teria funcionado nos arredores da Igreja da Barroquinha, lembrada na mem\u00f3ria coletiva como o Candombl\u00e9 da Barroquinha\u00a0ou Il\u00ea Iy\u00e1 Omi Ax\u00e9 Intil\u00e9. Em determinado momento, os assentamentos dos orix\u00e1s Air\u00e1 Intil\u00e9 e Ox\u00f3ssi que existiam nesse local de culto foram transferidos para uma nova comunidade, hoje conhecida como a Casa Branca. O nome iorub\u00e1 do terreiro,\u00a0<em>Il\u00ea Iy\u00e1 Nass\u00f4 Ok\u00e1,<\/em>\u00a0que significa Casa de M\u00e3e Nass\u00f4, aponta para o papel fundamental de Iy\u00e1 Nass\u00f4 na forma\u00e7\u00e3o desta comunidade.<\/p>\n<p>Novas evid\u00eancias hist\u00f3ricas trazem \u00e0 luz detalhes da vida de Iy\u00e1 Nass\u00f4 na Bahia. Legalmente, foi conhecida pelo nome Francisca da Silva. De na\u00e7\u00e3o nag\u00f4, oriunda do reino iorub\u00e1 de Oi\u00f3, onde tinha um papel importante no culto a Xang\u00f4, ela provavelmente chegou \u00e0 Bahia escravizada. Foi liberta poucos anos antes da Independ\u00eancia do Brasil, aparentemente por volta de 1815-1820. At\u00e9 1822, morava no distrito conhecido como o Gravat\u00e1, a pequena dist\u00e2ncia da Barroquinha. \u00c9 prov\u00e1vel que seu envolvimento no Candombl\u00e9 da Barroquinha date desse per\u00edodo de sua vida.\u00a0Em 1832, mudou-se para a Ladeira do Carmo, no atual bairro do Pelourinho, passando a realizar cerim\u00f4nias para Xang\u00f4 em sua resid\u00eancia. Contudo, a repress\u00e3o que se seguiu \u00e0 Revolta dos Mal\u00eas\u00a0acabou transformando para sempre sua vida.\u00a0Dois filhos consangu\u00edneos seus, nascidos na \u00c1frica, foram acusados de envolvimento no levante e condenados a oito anos de pris\u00e3o. Iy\u00e1 Nass\u00f4 apelou da senten\u00e7a, afirmando a inoc\u00eancia dos filhos e pedindo que a pena fosse comutada para deporta\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00c1frica. Ela jurou que iria junto com eles, para nunca mais voltar. A peti\u00e7\u00e3o foi deferida, e em 1837 ela seguiu os filhos para a \u00c1frica, junto com o marido, o nag\u00f4 liberto Jos\u00e9 Pedro Autran, e v\u00e1rios agregados, entre eles a nag\u00f4 liberta Marcelina, que outrora lhe servira como cativa. Essa mesma Marcelina consta nas tradi\u00e7\u00f5es orais como sucessora de Iy\u00e1 Nass\u00f4 na lideran\u00e7a do terreiro.<\/p>\n<p>Tudo indica que Iy\u00e1 Nass\u00f4 cumpriu a promessa feita \u00e0s autoridades do Brasil. Nunca retornou ao Brasil e, at\u00e9 hoje, na cidade de Uid\u00e1 h\u00e1 uma fam\u00edlia que reivindica Jos\u00e9 Pedro Autran como patriarca fundador. Marcelina, no entanto, voltou \u00e0 Bahia em 1839, estabelecendo resid\u00eancia no cora\u00e7\u00e3o do bairro do Pelourinho\u00a0e adotando o sobrenome Silva, em refer\u00eancia a seu v\u00ednculo com Francisca da Silva\/Iy\u00e1 Nass\u00f4.\u00a0N\u00e3o se sabe se ela assumiu imediatamente a lideran\u00e7a da comunidade fundada por Iy\u00e1 Nass\u00f4 ou se demorou um pouco para reorganiz\u00e1-la. De qualquer forma, a gest\u00e3o de Marcelina evidentemente durou d\u00e9cadas e foi sob sua reg\u00eancia que o terreiro foi transferido para a Estrada Dois de Julho &#8212; atual Avenida Vasco da Gama,\u00a0ent\u00e3o uma regi\u00e3o de mata e ro\u00e7as nas margens do per\u00edmetro urbano. Foi tamb\u00e9m durante a lideran\u00e7a de Marcelina que o nag\u00f4 liberto Rodolfo Martins de Andrade\u00a0passou a fazer parte da comunidade religiosa. Tamb\u00e9m conhecido como Bambox\u00ea Obitik\u00f4, hoje \u00e9 considerado um dos ancestrais mais importantes do terreiro. Outros importantes atores nesse per\u00edodo foram os nag\u00f4s libertos\u00a0Joaquim Vieira da Silva e Eliseu do Bonfim, este \u00faltimo pai do babala\u00f4 Martiniano Eliseu do Bonfim.\u00a0Com a morte de Marcelina em 1885, a lideran\u00e7a passou para Maria J\u00falia de Figueiredo. Nascida no Brasil, de pais africanos, tinha ocupada o posto de iakeker\u00ea\u00a0na gest\u00e3o de Marcelina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Casa dos Ancestrais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-6926\" src=\"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Ancestrais-277x300.jpg\" alt=\"\" width=\"277\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Ancestrais-277x300.jpg 277w, https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Ancestrais.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 277px) 100vw, 277px\" \/><\/p>\n<p>Segundo Edison Carneiro, a fundadora do Terreiro do Gantois, Maria J\u00falia da Concei\u00e7\u00e3o Nazar\u00e9, teria sido filha de santo de Marcelina e depois da morte desta teria disputado, em v\u00e3o, a sucess\u00e3o da casa, e ent\u00e3o fundado o Gantois. Contudo, as tradi\u00e7\u00f5es orais do Gantois levantam d\u00favidas sobre esse enredo. Como as tradi\u00e7\u00f5es da Casa Branca, a mem\u00f3ria coletiva do Gantois reivindica origem na Barroquinha, mas da\u00ed diverge, afirmando que sua fundadora foi filha de santo de Iy\u00e1 Akal\u00e1 e n\u00e3o de Marcelina. Ou seja, o Gantois n\u00e3o seria descendente da Casa Branca, mas irm\u00e3o. Diversas outras evid\u00eancias indicam que o Gantois j\u00e1 existia bem antes da morte de Marcelina. Essas informa\u00e7\u00f5es sugerem que a narrativa defendida por Carneiro, apesar de bem difundida na etnografia do candombl\u00e9, n\u00e3o d\u00e1 conta da sequ\u00eancia real dos eventos.<\/p>\n<p>Maria J\u00falia de Figueiredo ficou menos de cinco anos \u00e0 frente da comunidade, sendo substitu\u00edda por sua parenta Ursulina de Figueiredo, conhecida como Sussu.<span style=\"font-size: 13.3333px;\">\u00a0<\/span>Esta, por sua vez, designou como sua herdeira Ant\u00f4nia Maria dos Anjos, que, por diversos motivos, n\u00e3o assumiu o posto de ialorix\u00e1. A pr\u00f3xima ialorix\u00e1 foi Maximiana Maria da Concei\u00e7\u00e3o, filha de africanos e conhecida como Tia Massi. Nesse momento de transi\u00e7\u00e3o,\u00a0Eug\u00eania Ana dos Santos, filha de santo do terreiro e inconformada com a sucess\u00e3o, teria se afastada da casa, fundando, depois de alguns anos, seu pr\u00f3prio terreiro, o Il\u00ea Ax\u00e9 Op\u00f4 Afonj\u00e1.<\/p>\n<p>Tia Massi liderou a Casa Branca at\u00e9 seu falecimento em 1962. Tinha ent\u00e3o mais de cem anos de idade. Foi sucedida por Maria Deolinda dos Santos, de alcunha Papai Ok\u00ea, que durou poucos anos no posto. A pr\u00f3xima na dire\u00e7\u00e3o da casa foi Marieta Vit\u00f3ria Cardoso,\u00a0que dividia seu tempo entre a Bahia e o Rio de Janeiro. Foi durante sua gest\u00e3o que a comunidade se mobilizou para se defender de uma invas\u00e3o do terreno por um posto de gasolina. Nessa luta, o og\u00e3 Antonio Agnelo Pereira e a iakeker\u00ea Tet\u00e9 de Ians\u00e3 exerceram papeis fundamentais. Com o falecimento de Iy\u00e1 Marieta em 1984, a sucessora foi\u00a0Altamira Cec\u00edlia dos Santos, filha consangu\u00ednea de Papai Ok\u00ea e conhecida como Tat\u00e1. M\u00e3e Tat\u00e1 regeu a casa de 1985 at\u00e9 seu falecimento em 2019, aos 96 anos de idade.\u00a0A atual ialorix\u00e1, Neuza Cruz, nona lideran\u00e7a do terreiro, assumiu o cargo em 2021.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Da persegui\u00e7\u00e3o ao tombamento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-6925\" src=\"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/persegui\u00e7\u00e3o-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" \/><\/p>\n<p>Durante o per\u00edodo colonial e ainda no Imp\u00e9rio, os cultos afro-brasileiros foram perseguidos pelas autoridades. No s\u00e9culo XIX, a atua\u00e7\u00e3o repressora, outrora nas m\u00e3os da Inquisi\u00e7\u00e3o, passou a ser exercida pelo governo, especificamente pela pol\u00edcia. Numerosos casos na capital baiana e no Rec\u00f4ncavo tem sido documentados por historiadores, mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que representam apenas uma gota num verdadeiro oceano de outros incidentes ainda desconhecidos.\u00a0A partir da Rep\u00fablica,\u00a0a persegui\u00e7\u00e3o da religiosidade afro-brasileira continuou sob os r\u00f3tulos de curandeirismo, feiti\u00e7aria e falsa medicina, proibidos pelo C\u00f3digo Penal de 1890. Na Bahia, a partir de certo momento, aos candombl\u00e9s foi permitido realizar cerim\u00f4nias, mas para cada cerim\u00f4nia tinham que pagar para uma licen\u00e7a emitida pela pol\u00edcia, v\u00e1lida apenas para aquela data.\u00a0O II Congresso Afro-Brasileiro, realizado em Salvador em 1937, com a participa\u00e7\u00e3o de muitos terreiros e intelectuais, como Jorge Amado e Edison Carneiro, foi um divisor de \u00e1guas no sentido de priorizar a import\u00e2ncia de reivindicar a liberdade religiosa do candombl\u00e9. Um dos resultados do evento foi a forma\u00e7\u00e3o da primeira associa\u00e7\u00e3o dos candombl\u00e9s, a Uni\u00e3o das Seitas Afro-Brasileiras. Essa entidade pioneira contou com a ades\u00e3o da Casa Branca, mas durou poucos anos, devido \u00e0 crise pol\u00edtica nacional proporcionada pela implanta\u00e7\u00e3o do Estado Novo.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 not\u00edcias sobre incidentes espec\u00edficos de repress\u00e3o que tenham atingido a Casa Branca, mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que durante o primeiro s\u00e9culo de sua exist\u00eancia a casa vivia sob esse quadro generalizado de persegui\u00e7\u00e3o, como tantos outros candombl\u00e9s. A associa\u00e7\u00e3o civil do terreiro, a Sociedade Beneficente e Recreativa S\u00e3o Jorge do Engenho Velho, surgiu em 1943, resultado de uma reuni\u00e3o que envolveu toda a comunidade religiosa. Criada com o fim de representar a Casa Branca perante a sociedade civil e \u00f3rg\u00e3os do governo, a entidade foi registrada no Cart\u00f3rio Especial de T\u00edtulos e Documentos dois anos depois. Em 1956, foi declarada de utilidade p\u00fablica pela Lei Municipal 759 de 31 de dezembro daquele ano. \u00c9 atualmente conhecida como Associa\u00e7\u00e3o S\u00e3o Jorge do Engenho Velho (ASJEV).<\/p>\n<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, quatro anos depois que o governador\u00a0Roberto Santos assinou um decreto livrando os candombl\u00e9s da fiscaliza\u00e7\u00e3o policial, a comunidade da Casa Branca come\u00e7ou uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o contra a invas\u00e3o de seu terreno por um posto de gasolina que se instalou pr\u00f3ximo \u00e0 fonte de Oxum. A luta durou anos e acabou catalisando a ideia, ent\u00e3o in\u00e9dita, de assegurar a prote\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio do terreiro atrav\u00e9s de tombamento. Em 1982, o terreiro foi reconhecido pela Prefeitura de Salvador como Patrim\u00f4nio da Cidade. No mesmo ano, foi aberto um processo no Sphan, solicitando tombamento nacional, justificado por um laudo antropol\u00f3gico da autoria de Ordep Jos\u00e9 Trindade Serra. Gra\u00e7as ao protagonismo da comunidade religiosa, com destaque para a lideran\u00e7a da iakeker\u00ea, Tet\u00e9 de Ians\u00e3, e do og\u00e3 Antonio Agnelo Pereira (ent\u00e3o presidente da associa\u00e7\u00e3o civil do terreiro), al\u00e9m de intenso di\u00e1logo com \u00f3rg\u00e3os do governo, entidades da sociedade civil, a imprensa e intelectuais e artistas, o processo foi aprovado quatro anos depois.\u00a0Assim, o Terreiro da Casa Branca se tornou o primeiro monumento negro a ser reconhecido pelo governo como patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, um marco da hist\u00f3ria do Brasil que abriu precedente para outros casos nos anos que se seguiram.\u00a0Logo depois do tombamento, a revista do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional\u00a0publicou uma an\u00e1lise est\u00e9tica e etnogr\u00e1fica de um dos elementos visuais mais impressionantes do barrac\u00e3o do terreiro, a chamada &#8220;coroa de Xang\u00f4&#8221;.\u00a0Foi lan\u00e7ada tamb\u00e9m, pelo Minist\u00e9rio da Cultura, uma s\u00e9rie de cart\u00f5es postais ic\u00f4nicos, com fotografias de elementos visuais do terreiro que acompanharam o processo de tombamento.<\/p>\n<p>Recentemente, um plano de preserva\u00e7\u00e3o e salvaguarda do terreiro foi elaborado por alguns membros da comunidade, com vistas \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o da \u00e1rea.<\/p>\n<p>O terreiro\u00a0da\u00a0<strong>Casa Branca do Engenho Velho<\/strong>\u00a0(Il\u00ea Ax\u00e9 Iy\u00e1 Nass\u00f4 Ok\u00e1), representado pela\u00a0<strong>Sociedade S\u00e3o Jorge do Engenho Velho<\/strong>, \u00e9 um templo de candombl\u00e9\u00a0do munic\u00edpio de Salvador, no estado da Bahia. Fundado por volta de 1830, \u00e9 um dos mais antigos terreiros afro-brasileiros na capital baiana e tamb\u00e9m no Brasil. Constitu\u00eddo por uma \u00e1rea aproximada de 6.800 m\u00b2, com edifica\u00e7\u00f5es e \u00e1reas verdes, foi tombado pelo Shan\u00a0em 1986, o primeiro monumento da cultura negra a ser considerado Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Descri\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Localizado no bairro popular do Engenho Velho da Federa\u00e7\u00e3o, o Terreiro \u00e9 situado num trecho da avenida Vasco da Gama entre a Ladeira Manoel do Bonfim e o Vale da Muri\u00e7oca.\u00a0A maioria de sua \u00e1rea externa fica numa encosta de alta declividade, \u00e1rea essa que \u00e9 protegida, como um todo, pelo orix\u00e1\u00a0Ox\u00f3ssi, um dos patronos do terreiro.<\/p>\n<p>O\u00a0templo principal (barrac\u00e3o) do terreiro, por sua vez, \u00e9 regido por Xang\u00f4, cujos \u00edcones encontram-se encima do telhado, simbolizando seu papel de patrono. Outrossim, uma bandeira branca hasteada pr\u00f3xima \u00e0 entrada principal sinaliza, de forma mais geral, o car\u00e1ter sagrado do espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Uma edifica\u00e7\u00e3o alongada, o barrac\u00e3o\u00a0tem v\u00e1rias divis\u00f5es internas ligadas por um corredor que d\u00e1 acesso a c\u00f4modos para os sacerdotes principais da comunidade, outros compartilhados por diversos membros da comunidade durante o calend\u00e1rio ritual, espa\u00e7os reservados para altares de\u00a0orix\u00e1s, a camarinha, o sal\u00e3o onde se realizam as festas p\u00fablicas, e uma cozinha onde se preparam as comidas, inclusive aquelas oferecidas aos orix\u00e1s.\u00a0Fora do barrac\u00e3o, h\u00e1 ainda altares dedicadas a outros orix\u00e1s &#8212; alguns ao ar livre, outros dentro de pequenas casas, todos espalhados na grande \u00e1rea verde em torno do barrac\u00e3o. A vegeta\u00e7\u00e3o inclui diversas esp\u00e9cies consagradas aos orix\u00e1s, cuja presen\u00e7a no terreiro \u00e9 fundamental para manter a for\u00e7a do ax\u00e9. H\u00e1 ainda algumas casas que abrigam membros da comunidade religiosa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pesquisa : Jose Lucas (Folha do Piraju\u00e7ara)<\/p>\n<p>Link : <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\">https:\/\/pt.wikipedia.org<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo a tradi\u00e7\u00e3o oral, os prim\u00f3rdios da comunidade hoje conhecida como Casa Branca remonta \u00e0 lideran\u00e7a de tr\u00eas mulheres africanas,\u00a0Iy\u00e1<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":6927,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1,54,4],"tags":[],"class_list":["post-6924","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-historias-afro-brasileiras","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6924"}],"collection":[{"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6924"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6924\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6928,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6924\/revisions\/6928"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6927"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6924"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6924"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6924"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}