{"id":6986,"date":"2023-08-26T05:49:08","date_gmt":"2023-08-26T08:49:08","guid":{"rendered":"http:\/\/folhadopirajucara.com.br\/?p=6986"},"modified":"2023-08-26T05:49:08","modified_gmt":"2023-08-26T08:49:08","slug":"quem-foi-abigail-moura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/2023\/08\/26\/quem-foi-abigail-moura\/","title":{"rendered":"Quem foi Abigail Moura"},"content":{"rendered":"<p>Abigail Moura nasceu em uma fam\u00edlia negra da pequena cidade de Patroc\u00ednio de Muria\u00e9, localizada no sudeste do estado de Minas Gerais, bem pr\u00f3ximo \u00e0 divisa entre Rio de Janeiro e Esp\u00edrito Santo. Come\u00e7ou na cidade natal o interesse do menino pela m\u00fasica. Quando crian\u00e7a ele logo entrou para a bandinha local, onde aprendeu a tocar os instrumentos percussivos e mais tarde o trombone tamb\u00e9m. Por\u00e9m, uma vez que a cidade mineira era muito pequena para as ambi\u00e7\u00f5es daquele jovem apaixonado por m\u00fasica, Abigail mudou-se para o Estado da Guanabara, cidade do Rio de Janeiro, onde foi trabalhar como m\u00fasico tocando bateria e trombone.<\/p>\n<p>Durante a d\u00e9cada de trinta, na cidade maravilhosa, Abigail se integraria aos poucos \u00e0 sociedade negra local, fazendo amizade com grandes nomes da m\u00fasica e do samba carioca como Donga, Pixinguinha e Anacleto de Medeiros. Algumas composi\u00e7\u00f5es do ent\u00e3o m\u00fasico popular chegaram inclusive a fazer um pouco de sucesso nos morros e no asfalto carioca. Em abril de 1942, inspirado pela voz da cantora Maria do Carmo, Abigail criou a Orquestra Afro-brasileira, grupo que lideraria por quase trinta anos, at\u00e9 a sua morte. A Orquestra foi formada por Moura no mesmo momento em que os amigos Abdias Nascimento e Solano Trindade formavam os primeiros grupos teatrais e de dan\u00e7a compostos exclusivamente por negros. Nessa \u00e9poca, os tr\u00eas amigos frequentavam o terreiro do famoso Pai de Santo Jo\u00e3ozinho da Gom\u00e9ia, em Duque de Caxias, cidade vizinha ao Rio de Janeiro, e refletiam bastante sobre a situa\u00e7\u00e3o do negro brasileiro. A partir de 1945, a Orquestra Afro-Brasileira passou a ser formada exclusivamente por m\u00fasicos negros. As apresenta\u00e7\u00f5es do grupo, por sua vez, homenageavam os grandes nomes negros da cultura brasileira, como Teodoro Sampaio, a quem foi dedicado o vig\u00e9simo quarto concerto da orquestra, realizado em quinze de janeiro de 1949.<\/p>\n<p>Os arranjos e composi\u00e7\u00f5es de Moura uniam os instrumentos tradicionais de percuss\u00e3o advindos do continente africano para o Brasil, aos instrumentos de harmonia e sopro, tradicionais das big bands de jazz dos EUA. O grupo da Orquestra era composto por cerca de vinte m\u00fasicos que se dividiam entre instrumentos percussivos, como o urucungo (berimbau), agog\u00f4, gongu\u00ea e atabaques e os instrumentos de sopro, como saxofone, clarinetes e trompetes. Os cantores solistas cantavam em l\u00ednguas do continente africano do tronco lingu\u00edstico bantu, em l\u00edngua iorub\u00e1 ou na l\u00edngua ind\u00edgena brasileira nheengatu. Eram interpretadas toadas de maracatu, batuques, jongos, al\u00e9m de pontos de umbanda e candombl\u00e9. Regendo a Orquestra, Abigail gravou dois discos,\u00a0<em>Obaluay\u00ea<\/em>, 1957, pela gravadora Todam\u00e9rica e\u00a0<em>Orquestra Afro Brasileira<\/em>, 1968, pela gravadora CBS. O grupo foi premiado pela Tv-R\u00e1dio Record de S\u00e3o Paulo, al\u00e9m de ter recebido a medalha de bronze do Instituto Benjamim Constant. Em 1968, A Orquestra foi considerada utilidade p\u00fablica por uma lei Estadual fluminense.<\/p>\n<p>Abigail Moura foi pioneiro na fus\u00e3o dos elementos da r\u00edtmica africana aos elementos da harmonia jazzista norte-americana, abrindo espa\u00e7o para o surgimento de outros trabalhos voltados para esta mesma tem\u00e1tica que viriam a ocorrer mais tarde, como os arranjos do famoso maestro Moacir Santos em seu \u00e1lbum de estreia \u201cCoisas\u201d e os recentes trabalhos da Orquestra Rumpilezz, liderada por Letieres Leite.<\/p>\n<p>Contam que antes de cada apresenta\u00e7\u00e3o, Abigail performatizava como um verdadeiro sacerdote das religi\u00f5es afro-brasileiras. Alguns dos m\u00fasicos da Orquestra eram adeptos da religi\u00e3o e o palco se tornava o pr\u00f3prio terreiro. A trajet\u00f3ria do grupo \u00e9 marcada por alguns fatos extraordin\u00e1rios. A cantora solista oficial da Orquestra, Maria do Carmo, teria enlouquecido em plena apresenta\u00e7\u00e3o e nunca mais teria cantado. O fato ocorreu antes ainda da grava\u00e7\u00e3o do primeiro LP do grupo, quando a voz solista feminina foi de Iolanda Borges. Em outra ocasi\u00e3o, depois da intromiss\u00e3o de um b\u00eabado inconveniente que atrapalhara a orquestra logo em seu primeiro acorde, Abigail teria realizado uma atividade com seus comandados e voltado ao palco novamente, dando in\u00edcio a apresenta\u00e7\u00e3o com um ponto de Exu-Tranca-Rua. A partir da\u00ed, a apresenta\u00e7\u00e3o teria seguido seu curso tranquilo e leve.<\/p>\n<p>Paralelamente ao trabalho com a Orquestra, Abigail liderou tamb\u00e9m uma\u00a0<em>big band<\/em>\u00a0que tocava ritmos importados, al\u00e9m de exercer o of\u00edcio de copista (copiava documentos e partituras a m\u00e3o) da r\u00e1dio MEC. O maestro servia-se dos lucros destes trabalhos para manter o projeto maior da sua Orquestra. Abigail Moura faleceu em 1970, extremamente pobre. Nos \u00faltimos anos de sua vida, Moura morava no bairro Benfica, zona norte do Rio e Janeiro. Com a morte do maestro, a Orquestra Afro-Brasileira teve fim.<\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos dois mil, uma parceria entre o artista pl\u00e1stico e curador Emanoel Ara\u00fajo, ent\u00e3o curador da Pinacoteca de S\u00e3o Paulo, e o dj e pesquisador Gr\u00e9goire de Villanova, rendeu um excelente trabalho de pesquisa sobre a obra de Abigail e o relan\u00e7amento de algumas faixas dos dois discos do grupo em um livro-CD. O lan\u00e7amento do material fez parte das atividades relativas \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o \u201cNegras Mem\u00f3rias, mem\u00f3rias de negros\u201d, organizada por Emanoel. Onze anos depois, em nova parceria entre os dois, foi inaugurada em 17 de novembro de 2014 a exposi\u00e7\u00e3o \u201cBreves Not\u00edcias: Abigail Moura e a Orquestra Afro-Brasileira\u201d, realizada no Museu Afro Brasil. Tr\u00eas dias depois, em 20 de novembro 2014, dia da consci\u00eancia negra, na plateia externa do Audit\u00f3rio do Ibirapuera, foi realizado o show de retorno da Orquestra Afro-Brasileira, liderada agora pelo m\u00fasico Carlos Negreiros, que fez parte da Orquestra na d\u00e9cada de sessenta como percussionista e solista.<\/p>\n<p>Pesquisa: Jose Lucas s. pedroso ( folha do piraju\u00e7ara )<\/p>\n<p>Fonte :\u00a0 <a href=\"http:\/\/www.museuafrobrasil.org.br\">http:\/\/www.museuafrobrasil.org.br<\/a> ( mat\u00e9ria )<\/p>\n<p>https:\/\/ea9vhhuzko5.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/abigail_moura_orquestra_afro-brasileira.jpg?strip=all&#038;lossy=1&#038;ssl=1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abigail Moura nasceu em uma fam\u00edlia negra da pequena cidade de Patroc\u00ednio de Muria\u00e9, localizada no sudeste do estado de<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":6987,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1,54,4],"tags":[],"class_list":["post-6986","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-historias-afro-brasileiras","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6986"}],"collection":[{"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6986"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6986\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6988,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6986\/revisions\/6988"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6987"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6986"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6986"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6986"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}