{"id":7063,"date":"2023-09-03T17:33:23","date_gmt":"2023-09-03T20:33:23","guid":{"rendered":"http:\/\/folhadopirajucara.com.br\/?p=7063"},"modified":"2023-09-03T17:33:23","modified_gmt":"2023-09-03T20:33:23","slug":"dr-jose-ferreira-de-menezes-e-o-seu-protagonismo-negro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/2023\/09\/03\/dr-jose-ferreira-de-menezes-e-o-seu-protagonismo-negro\/","title":{"rendered":"Dr. Jose  Ferreira de Menezes e o seu protagonismo negro"},"content":{"rendered":"<p>O negro Jos\u00e9 Ferreira de Menezes nasceu livre em uma sociedade escravista. Provavelmente nasceu em Angras dos Reis entre 1942 e 1945. Notabilizou-se como escritor, advogado e fundador de um influente Peri \u00f3tico que circulava no Rio de Janeiro na segunda metade do s\u00e9culo XIX, o Gazeta da Tarde.<\/p>\n<p>O filho do \u201cpreto\u201d e liberto Jos\u00e9 Joaquim Ferreira de Menezes, teve dois irm\u00e3os: Ant\u00f4nio Ferreira de Menezes e Claudina Ferreira de Menezes. Diferenciando-se do imagin\u00e1rio constru\u00eddo para os negros de sua \u00e9poca, estudou no Col\u00e9gio Tautphoeus de Nova Friburgo, tendo sido aprovado nos exames preparat\u00f3rios para as academias do Imp\u00e9rio perante o Conselho de Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica. O Conselho era o \u00f3rg\u00e3o imperial encarregado da dire\u00e7\u00e3o e regimento de ensino e educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica no per\u00edodo Imperial no Brasil.<\/p>\n<p>De acordo com Ana Fl\u00e1via Magalh\u00e3es Pinto, foi provavelmente em 1871 que se casou com a atriz Julia Carlota de Azevedo, que passou a se chamar Julia Carlota de Menezes. Quando a historiadora decidiu compreender melhor as experi\u00eancias de homens negros, livres, letrados o nome de Ferreira de Menezes n\u00e3o fazia parte da rela\u00e7\u00e3o a ser pesquisada, mas, por ter se revelado uma das figuras centrais no movimento em defesa dos direitos dos negros brasileiros no s\u00e9culo XIX, foi inclu\u00eddo em seus estudos.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, Jos\u00e9 Ferreira de Menezes formou-se em Direito, sem deixar de manter contato com destacadas figuras que atuavam no Rio de Janeiro, entre elas Machado de Assis. Na cidade, colaborou em diversos jornais acad\u00eamicos e comerciais. Ficou conhecido como um homem das letras, do teatro e dos debates p\u00fablicos.<\/p>\n<p>\u201cEle que nascera pobre e desconhecido, conquistara pelo seu talento e civismo lugar eminente entre os vultos mais imponentes da nossa imprensa jornal\u00edstica e liter\u00e1ria, e se enriquecera do respeito de seus coevos\u201d. Foi o registrado na Gazeta de S. Paulo e anotado por Ana Fl\u00e1via. A historiadora ainda apontou outros registros de diversas fontes jornal\u00edsticas: \u201cDe nascimento obscuro, pobre, desprotegido, elevou-se a grande altura por seus merecimentos pessoais\u201d, foram palavras de O Sapucaiense. Em Curitiba, o Paranaense diria: \u201cCom o trabalho seu conseguiu formar-se em uma das academias do Imp\u00e9rio, com ele viveu e com a for\u00e7a de seu talento imp\u00f4s-se ao respeito e considera\u00e7\u00e3o de seus concidad\u00e3os\u201d.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Ferreira de Menezes foi ainda incans\u00e1vel pela causa da liberta\u00e7\u00e3o dos escravos e contra o tr\u00e1fico ilegal de Africanos para o Brasil. O jornal fundado por ele, lan\u00e7ado em 10 de julho de 1880, foi fundamental para a divulga\u00e7\u00e3o de propagandas abolicionistas. Era declaradamente abolicionista e serviu como um ve\u00edculo poderoso para que a voz de escritores, professores e profissionais Afro Brasileiros fosse ouvida. Ou seja, a partir do seu pr\u00f3prio jornal, travou combate de ideias com muita gente em defesa da causa da liberdade. Como advogado comissionado pela Loja Am\u00e9rica, chegou a defender Luiz Gama num processo de cal\u00fania movido contra ele, em S\u00e3o Paulo, em 1870.<\/p>\n<p>Sua morte foi prematura, em 6 de junho de 1881, mas sua trajet\u00f3ria de homem negro, livre e letrados \u00e9 importante para se pensar sobre a experi\u00eancia da liberdade na escravid\u00e3o. Estudos sobre o escravismo no Brasil destacam que, \u00e0 \u00e9poca em que viveu Jos\u00e9 Ferreira de Menezes (1842-1881), a popula\u00e7\u00e3o negra livre crescia tanto em decorr\u00eancia de alforrias como devido a um crescimento natural: era gente livre tendo filhos livres, chegando a constituir parcelas expressivas das camadas urbanas.<\/p>\n<p>An\u00e1lises hist\u00f3ricas como a feita por Ana Fl\u00e1via para a sua tese de doutorado com o t\u00edtulo \u201cFortes la\u00e7os em linha rotas: Literatos Negros, Racismo e Cidadania e Cidadania na Segunda Metade do S\u00e9culo XIX\u201d \u2013 transformada em livro com o t\u00edtulo: \u201cEscritos de Liberdade. Literatos negros, racismo e cidadania no Brasil oitocentista\u201d \u2013, ressaltam, sobretudo, as vivencias compartilhadas por essa popula\u00e7\u00e3o negra.<\/p>\n<p>No caso dos intelectuais como Ferreira Meneses \u00e9 importante ressaltar tamb\u00e9m seu protagonismo nas articula\u00e7\u00f5es no movimento em defesa dos direitos dos negros, no combate ao racismo em plena sociedade escravista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pesquisa : Jose Lucas (Folha do Piraju\u00e7ara)<\/p>\n<p>Fonte : <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/afrodialogos\/posts\">https:\/\/www.facebook.com\/afrodialogos\/posts<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O negro Jos\u00e9 Ferreira de Menezes nasceu livre em uma sociedade escravista. 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