{"id":7277,"date":"2023-10-13T17:50:02","date_gmt":"2023-10-13T20:50:02","guid":{"rendered":"http:\/\/folhadopirajucara.com.br\/?p=7277"},"modified":"2023-10-13T17:50:02","modified_gmt":"2023-10-13T20:50:02","slug":"lima-barreto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhadopirajucara.com.br\/index.php\/2023\/10\/13\/lima-barreto\/","title":{"rendered":"Lima Barreto"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Lima Barreto \u00e9 um escritor pr\u00e9-modernista. Suas obras, de cunho realista e nacionalista, trazem um olhar cr\u00edtico sobre a sociedade brasileira do in\u00edcio do s\u00e9culo XX<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Lima<\/strong>\u00a0<strong>Barreto<\/strong>\u00a0\u00e9 um escritor brasileiro\u00a0<a href=\"https:\/\/brasilescola.uol.com.br\/literatura\/pre-modernismo.htm\">pr\u00e9-modernista<\/a>\u00a0nascido em 13 de maio de 1881 e falecido em 01 de novembro de 1922. Descendente de escravos, sentiu na pele a exclus\u00e3o social devido \u00e0 sua origem, inclusive nos meios acad\u00eamicos. Al\u00e9m do alcoolismo, enfrentou diversos problemas de sa\u00fade em sua vida e foi internado em hosp\u00edcio por mais de uma vez.<\/p>\n<p><em>Recorda\u00e7\u00f5es do escriv\u00e3o Isa\u00edas Caminha<\/em>\u00a0foi seu primeiro livro publicado, em 1909. Entretanto,\u00a0<em>Triste fim de Policarpo Quaresma<\/em>\u00a0(1915) \u00e9 o preferido pela cr\u00edtica liter\u00e1ria. Suas obras s\u00e3o realistas e trazem uma vis\u00e3o cr\u00edtica da sociedade brasileira. O escritor trabalha, com ironia, n\u00e3o s\u00f3 a tem\u00e1tica nacionalista, como tamb\u00e9m discute as diferen\u00e7as sociais e a quest\u00e3o do preconceito racial. Como ele escreveu em seu\u00a0<em>Di\u00e1rio \u00edntimo<\/em>\u00a0(1953): \u201cA capacidade mental dos negros \u00e9 discutida\u00a0<em>a priori\u00a0<\/em>e a dos brancos,\u00a0<em>a posteriori<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Biografia de Lima Barreto<\/strong><\/p>\n<p>O escritor Lima Barreto (Afonso Henriques de Lima Barreto)\u00a0<strong>nasceu em 13 de maio de 1881, na cidade do Rio de Janeiro<\/strong>. Era negro e de fam\u00edlia pobre. Sua av\u00f3 materna, Geraldina Leoc\u00e1dia da Concei\u00e7\u00e3o, foi uma escrava alforriada. Sua m\u00e3e era professora prim\u00e1ria e morreu de tuberculose quando Lima Barreto tinha 6 anos. Seu pai era tip\u00f3grafo, por\u00e9m sofria de doen\u00e7a mental.<\/p>\n<p>O autor, no entanto,\u00a0<strong>tinha um padrinho com posses\u00a0<\/strong>\u2013 o Visconde de Ouro Preto (1836-1912) \u2013, o que permitiu que o escritor estudasse no Col\u00e9gio Pedro II. Depois, ingressou na Escola Polit\u00e9cnica, mas n\u00e3o concluiu o curso de Engenharia, pois precisava trabalhar. Em 1903, fez concurso e foi aprovado para atuar junto \u00e0 Diretoria do Expediente da Secretaria da Guerra. Assim, concomitantemente ao trabalho como funcion\u00e1rio p\u00fablico, escrevia os seus textos liter\u00e1rios.<\/p>\n<p>Em 1905<strong>, trabalhou como jornalista no\u00a0<em>Correio da Manh\u00e3<\/em><\/strong>. Lan\u00e7ou, em 1907, a revista\u00a0<em>Floreal<\/em>. Em 1909, o seu primeiro romance foi editado em Portugal:\u00a0<em>Recorda\u00e7\u00f5es do escriv\u00e3o Isa\u00edas Caminha<\/em>. J\u00e1 o romance\u00a0<em>Triste fim de Policarpo Quaresma<\/em>\u00a0foi publicado, pela primeira vez, em 1911, no\u00a0<em>Jornal do Com\u00e9rcio<\/em>, em forma de folhetim. Em 1914, Lima Barreto foi\u00a0<strong>internado em um hospital psiqui\u00e1trico<\/strong>\u00a0pela primeira vez.<\/p>\n<p>Segundo Shyrley Pimenta, mestre em Psicologia Aplicada:<\/p>\n<p>\u201cA sa\u00fade do escritor n\u00e3o andava bem. Nesse aspecto, desde os vinte e cinco anos, teve in\u00edcio o calv\u00e1rio particular do escritor: adquiriu uma fraqueza geral e sua sa\u00fade debilitou-se. Aos vinte e nove anos sofre de impaludismo e reumatismo poliarticular. Sofrera de maleita na inf\u00e2ncia, e a doen\u00e7a se repetira aos trinta anos. Aos trinta e um, j\u00e1 com alguns sintomas da depend\u00eancia alco\u00f3lica, manifesta-se nele uma hipercinese card\u00edaca, tamb\u00e9m decorrente do abuso de \u00e1lcool, e aos trinta e tr\u00eas anos, a depress\u00e3o e a neurastenia. Aos trinta e cinco, apresenta uma anemia pronunciada, e aos trinta e sete, quebra a clav\u00edcula e \u00e9 acometido pelos primeiros ataques da epilepsia t\u00f3xica, tamb\u00e9m comum aos dependentes do \u00e1lcool, ocasi\u00e3o em que \u00e9 considerado \u201cinv\u00e1lido\u201d para o servi\u00e7o p\u00fablico e aposentado, em dezembro de 1918.\u201d<\/p>\n<p>Lima Barreto, que\u00a0<strong>se candidatou tr\u00eas vezes a uma vaga na Academia Brasileira de Letras<\/strong>, recebeu dela, segundo Francisco de Assis Barbosa (1914-1991)<strong>|1|<\/strong>, apenas uma men\u00e7\u00e3o honrosa em 1921. Morreu em 01 de novembro de 1922.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Caracter\u00edsticas liter\u00e1rias de Lima Barreto<\/strong><\/p>\n<p>O escritor Lima Barreto est\u00e1 inserido no Pr\u00e9-modernismo. Fazem parte desse per\u00edodo as obras de autores brasileiros publicadas entre 1902 e 1922. \u00c9 uma\u00a0<strong>fase de transi\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0entre o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasilescola.uol.com.br\/literatura\/simbolismo.htm\">Simbolismo<\/a>\u00a0e o Modernismo. Portanto, durante esse per\u00edodo, \u00e9 poss\u00edvel perceber influ\u00eancias de estilos de \u00e9poca anteriores, tais como o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasilescola.uol.com.br\/literatura\/parnasianismo.htm\">Parnasianismo<\/a>\u00a0e o Simbolismo (na poesia) e o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasilescola.uol.com.br\/literatura\/o-naturalismo.htm\">Naturalismo<\/a>\u00a0(na prosa).<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessa caracter\u00edstica, s\u00e3o percept\u00edveis elementos de\u00a0<strong>cunho nacionalista<\/strong>, que j\u00e1 preanunciam a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasilescola.uol.com.br\/literatura\/modernismo.htm\">est\u00e9tica modernista<\/a>\u00a0brasileira. Assim, n\u00e3o h\u00e1 mais a idealiza\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica e nota-se um\u00a0<strong>nacionalismo cr\u00edtico<\/strong>, em que os problemas sociais do Brasil s\u00e3o expostos, em que a cr\u00edtica pol\u00edtica \u00e9 escancarada. O realismo, nessas obras, \u00e9 predominante.<\/p>\n<p>As obras de Lima Barreto, portanto, apresentam tais caracter\u00edsticas. Contudo, est\u00e3o tamb\u00e9m impressos, em seus textos,\u00a0<strong>elementos que remetem \u00e0 experi\u00eancia de vida do autor<\/strong>, marcada pela exclus\u00e3o e pelo preconceito, devido \u00e0 sua origem pobre, \u00e0 sua negritude e aos problemas de sa\u00fade que enfrentava.<\/p>\n<p>Assim, seus romances, mem\u00f3rias, cr\u00f4nicas e contos trazem a imagem de um Brasil de in\u00edcio do s\u00e9culo XX, a partir da\u00a0<strong>vis\u00e3o bastante cr\u00edtica<\/strong>\u00a0de um homem e artista exclu\u00eddo da sociedade e do meio acad\u00eamico. Em romances como\u00a0<em>Recorda\u00e7\u00f5es do escriv\u00e3o Isa\u00edas Caminha<\/em>\u00a0(1909) e\u00a0<em>Clara dos Anjos<\/em>\u00a0(1948), a tem\u00e1tica do preconceito racial \u00e9 focalizada, a vis\u00e3o de um pa\u00eds justo e tolerante n\u00e3o se sustenta.<\/p>\n<p>Esses dois romances tamb\u00e9m fazem cr\u00edtica \u00e0 pol\u00edtica brasileira, quando, no primeiro, \u00e9 evidenciado\u00a0<strong>o poder pol\u00edtico da imprensa<\/strong>\u00a0e, no segundo, os poderes estatais s\u00e3o criticados por n\u00e3o se preocuparem em solucionar os\u00a0<strong>problemas do sub\u00farbio<\/strong>. Sua obra, portanto, caracteriza-se pela den\u00fancia das desigualdades sociais, que se mantinham devido aos interesses pol\u00edticos individuais em preju\u00edzo da coletividade. Assim, o escritor, com ironia, apontava a hipocrisia da sociedade brasileira de sua \u00e9poca.<\/p>\n<p>E, por fim, segundo o Portal Literafro:<\/p>\n<p>\u201cOutra marca indel\u00e9vel de sua obra reside no ponto de vista afro-identificado, que constitui um lugar de fala solid\u00e1rio ao subalterno e sens\u00edvel aos dramas dos desvalidos, sejam eles homens ou mulheres. Estas \u00faltimas, em especial, recebem um tratamento distinto dos estere\u00f3tipos dominantes \u00e0 \u00e9poca, sobretudo no que tange \u00e0 sexualidade da mulher negra, reduzida em muitos escritos do s\u00e9culo XIX a mero objeto do desejo e das fantasias brancas e masculinas \u2014 animal er\u00f3tico desprovido de raz\u00e3o e sentimentos.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Principais obras de Lima Barreto<\/strong><\/p>\n<p>Os principais livros de Lima Barreto s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li><em>Recorda\u00e7\u00f5es do escriv\u00e3o Isa\u00edas Caminha<\/em>\u00a0(1909): romance.<\/li>\n<li><em>As aventuras do Dr. Bogoloff<\/em>\u00a0(1912): romance.<\/li>\n<li><em>Triste fim de Policarpo Quaresma\u00a0<\/em>(1915): romance.<\/li>\n<li><em>Numa e a ninfa<\/em>\u00a0(1915): romance.<\/li>\n<li><em>Vida e morte de M. J. Gonzaga de S\u00e1<\/em>\u00a0(1919): romance.<\/li>\n<li><em>Hist\u00f3rias e sonhos<\/em>\u00a0(1920): contos.<\/li>\n<li><em>Os bruzundangas<\/em>\u00a0(1922): cr\u00f4nicas.<\/li>\n<li><em>Bagatelas<\/em>\u00a0(1923): cr\u00f4nicas.<\/li>\n<li><em>Clara dos Anjos<\/em>\u00a0(1948): romance.<\/li>\n<li><em>Feiras e mafu\u00e1s<\/em>\u00a0(1953): artigos e cr\u00f4nicas.<\/li>\n<li><em>Margin\u00e1lia<\/em>\u00a0(1953): cr\u00f4nicas.<\/li>\n<li><em>Coisas do reino do Jambon\u00a0<\/em>(1956): s\u00e1tira e folclore.<\/li>\n<li><em>Vida urbana\u00a0<\/em>(1956): artigos e cr\u00f4nicas.<\/li>\n<li><em>O subterr\u00e2neo do Morro do Castel<\/em>o (1997): novela.<\/li>\n<li><em>Di\u00e1rio \u00edntimo<\/em>\u00a0(1953): mem\u00f3rias.<\/li>\n<li><em>O cemit\u00e9rio dos vivos<\/em>\u00a0(1956): mem\u00f3rias.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Pesquisa: Jose Lucas (Folha do Piraju\u00e7ara)<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/brasilescola.uol.com.br\">https:\/\/brasilescola.uol.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lima Barreto \u00e9 um escritor pr\u00e9-modernista. 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