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Veja detalhes do B.O. sobre a morte na Base de Segurança em Taboão

O integrante da Guarda Civil Municipal (alterada recentemente para Polícia Municipal) de Taboão da Serra que tirou a própria vida durante o trabalho, “estava com restrição de acesso ao uso de armas da corporação”, segundo o boletim de ocorrência registrado às 5h30 do último sábado 15/03. Conforme o documento, “a arma utilizada na empreitada [suicídio] é particular”, e pertence ao colega de farda que dava plantão junto com a vítima.

Rafael Krisiak de Oliveira ia fazer 35 anos de idade no dia 11 do mês que vem. Entrou para a GCM-Taboão em 18.ago.2014. Seu acesso às armas estava restrito “pois respondia a processo por violência doméstica na comarca de Osasco”, diz o registro do 1º DP de Taboão da Serra.

O policial municipal Igor informou que na madrugada do último domingo estava trabalhando com o colega Krisiak na Base de Segurança do bairro Intercap. Igor sentiu-se mal devido a uma gripe, e foi descansar no seu automóvel, ao lado da base.

Por volta das 4h, o subinspetor Chaves foi até à Base Intercap entregar as chaves de outra base de segurança localizada no mesmo bairro. A porta trancada, ele bateu, mas não teve resposta. Ligou a sirene e o luminoso da viatura, e mesmo assim não foi atendido. Ao ver Igor dentro do carro, foi chamá-lo, entregou-lhe as chaves, e partiu em ronda.

Ao ficar sozinho trancado para fora, com o uso de sua lanterna Igor viu Krisiak caído dentro da base, e acionou seu superior Sandro Leo. Ao arrombarem o local, viram Krisiak deitado sobre uma poça de sangue com a arma na altura do ombro direito.

Igor disse que havia deixado sua Taurus calibre 45 na gaveta da base de segurança. A pistola e 13 munições intactas foram apreendidas pela Polícia Civil.

O delegado também mandou recolher o livro de registro e controle diário da base de segurança, onde Rafael Krisiak teria deixado uma suposta mensagem de despedida para sua mãe.

Para um policial militar ouvido pelo blog, houve falha de gestão no episódio: “Se o policial Krisiak estava com restrição ao uso de arma, por que foi escalado para trabalhar à noite em uma base onde tem sala de armas? Quem está com restrição tem de ficar no expediente [serviço administrativo]”, pondera.

A servidora pública Gisele Sena comentou no Facebook: “Fiquei sabendo e me emocionei muito, trabalhei com ele. Mais uma perda irreparável. Agem como se fosse mais uma notícia, mas não é… Um monte de gente se lamentando, e que deveria ter feito algo, mas não fez. Houve conversas? Intervenções? Orientação para que ele pudesse ter um acompanhamento digno de quem está doente emocionalmente? Qual foi a prevenção? O poder público precisa pensar na saúde mental desses pais e mães de famílias que saem de casa todos os dias e dão a vida pela população. Descaso que necessita de um olhar diferenciado e atitudes urgentemente, pois são vidas em jogo, uma tragédia anunciada”, lamenta.

Caso você esteja pensando em cometer suicídio, procure ajuda especializada como o CVV e os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) da sua cidade.

O CVV (https://www.cvv.org.br/) funciona 24 horas por dia (inclusive aos feriados) pelo telefone 188, e também atende por e-mail, chat e pessoalmente. São mais de 120 postos de atendimento em todo o Brasil

 

(*) reprodução na íntegra da matéria autorizada por David da Silva (Blog Bar e Lanches Taboão)

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