TABOÃO DA SERRA: O LUXO DO NATAL ÀS CUSTAS DO FUNCIONALISMO PÚBLICO
A administração municipal de Taboão da Serra vive um momento de completa dissociação da realidade, operando sob a máxima perversa de que privilégios e festividades valem mais do que o trabalho e o sustento dos seus próprios servidores. A sequência de atos e omissões revela não apenas uma falta de planejamento, mas uma inversão de prioridades que beira o escárnio. A crise explodiu no dia 31 de outubro, quando o salário dos servidores atrasou. O choque foi duplo: no mesmo dia em que o servidor esperava seu vencimento, a Prefeitura realizava a nomeação de 39 cargos de chefia, indicando que, para o topo da estrutura, há sempre recurso disponível. A partir desse marco, as contradições se acumularam em ritmo alarmante, desenhando um cenário de irresponsabilidade fiscal. Se, por um lado, a tesouraria alega estar apertada para pagar o salário na data, a Câmara aprovou, no começo de outubro, gratificações que variam de 75% a 100% para os componentes da comissão de licitação. Enquanto isso, na ponta, foram realizados cortes nas horas extras dos funcionários de Trânsito e Transporte, penalizando quem faz o serviço público rodar, sob a alegação de contenção de gastos. A administração não hesitou em ameaçar o funcionalismo com a possibilidade de atrasos nos salários de novembro e dezembro, e colocou em xeque o 13º salário, um direito fundamental. Contudo, 11 dias após o primeiro atraso, o Executivo anuncia a criação de uma nova Secretaria Municipal, expandindo a máquina pública em meio à alegada crise. O ápice dessa gestão de contradições é o escândalo dos R$ 2,5 milhões previstos para o evento “Natal Iluminado”. É inconcebível que o município alegue insolvência para honrar o salário e o 13º de seus trabalhadores, mas tenha a cifra milionária de R$ 2,5 milhões disponível para gastar em luzes e decoração. A resposta é clara: a prioridade não é a responsabilidade fiscal nem o bem-estar do funcionalismo. A prioridade é a vitrine política e a satisfação de estruturas internas com altos salários e bônus. O funcionalismo de Taboão da Serra não merece ser a vítima de um malabarismo financeiro que beneficia o topo e penaliza a base. É fundamental que o Ministério Público e a Câmara Municipal atuem para exigir transparência e, acima de tudo, reverter essa inversão moral e financeira. O dinheiro que pagaria o 13º não pode ser desviado para acender luzes de Natal. É hora de o Executivo de Taboão da Serra mostrar que sua responsabilidade é com o povo e o trabalhador, e não com o espetáculo.
Mário Aparecido de Souza
Jornalista Responsável
